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Em uma operação importante contra fraudes no sistema financeiro nacional, a PF prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro, na esteira da Operação Compliance Zero, enquanto o empresário tentava fugir do Brasil, em um jatinho particular, rumo à ilha de Malta. A ação se deu no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite de segunda-feira (17).
O diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, estimou que o esquema de fraudes financeiras que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, e de quatro diretores pode chegar a R$ 12 bilhões. A declaração de Rodrigues foi dada à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga organizações criminosas.
A PF suspeita que Vorcaro, certamente o nome mais falado na Avenida Faria Lima esta semana, esteja envolvido em venda de títulos de crédito falsos. O Master emitia CDBs com a promessa falsa de restituir o cliente em até 40% acima da taxa de juros básica praticada no mercado.
A prisão, que ressalta a independência e liberdade funcional da PF sob o Governo Lula, ocorreu horas depois de o consórcio liderado pelo grupo Fictor Holding Financeira anunciar a compra do banco.
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A operação seria deflagrada nesta terça-feira (18), mas a prisão de Daniel foi antecipada em razão da fuga iminente. A corporação também prendeu Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Lima é casado com Flávia Arruda, ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal e então ministra-chefe da Secretaria de Governo na administração Jair Bolsonaro.
Liquidação extrajudicial
O Banco Central (BC) interrompeu a compra do Master ao decretar, nesta terça, a liquidação extrajudicial da instituição e a indisponibilidade dos bens dos controladores e dos ex-administradores. A autarquia federal alega “risco financeiro”. O negócio ainda precisaria da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Por conta das dificuldades que o banco atravessa, investidores dos Emirados Árabes Unidos chegaram a antecipar aporte de R$ 3 bilhões para reforçar o caixa de imediato.